sábado, 7 de janeiro de 2012

carrego comigo a sensação de ter feito tudo o que podia.
e ela, por enquanto, me basta.

dei tudo de mim, talvez até mais.
se é que não foi esse o problema.
não passamos de peças que não se encaixam.

se hoje parto, quem sabe seja para voltar em outra data.
se o pesar existe, não é maior que o alívio.
tenho a mania de sempre partir confiante.
partir é fácil, partir é mais simples que ficar.
partir são possibilidades. e possibilidades seduzem.

domingo, 2 de maio de 2010

nome é detalhe.


acordou, se revirou, passou a mão pelo cabelo dela e seus olhos tremeram nos sonhos inquietos. ele sorriu. como achava seu cabelo bonito. terminou de se vestir e saiu. na esquina da XV, se confundiu e quase virou à direita. não, naquele dia o encontro era com a loira, quem morava à direita era a dos olhos claro. mal sinal, percebeu que ansiava por vê-la. mas o encontro era só no dia seguinte. se concentra, sussurrou pra si mesmo.

continuou dirigindo e logo chegou, ela já estava pronta. adorava sua pontualidade. ela sorriu e abriu a porta do carro:

- oi amor. - trocaram um beijo e ele acelerou.

compartilharam vários cafés: ela tão inteligente, ele tão engraçado. deixou-a na porta de casa, enquanto ela frisava o quanto gostava dele, como ele era diferente dos anteriores. e ele realmente era. exausto, foi embora e não demorou a adormecer.

acordou inquieto. não aguentava as horas que o separava dos olhos claros dela. das três, era a sua predileta. se forçava a não ter preferências, mas com essa era impossível. a mais engraçada, as roupas mais simples, o cabelo colorido, o fone meio caído, tão incomum. a que curava sua confusão.

ele, sinceramente, amava as três. queria as três.
em suas semelhanças.
em suas diferenças.
jurava amor eterno.

ele era diferente. na sua infidelidade, era sincero.

terça-feira, 20 de abril de 2010

recomeço.

quero novas paradas em novas plataformas.

tenho andado por tantas, tão incomuns.
sem saber, parti da estação segura. me perdi. me achei.
na bagagem, novos cheiros, sal tequila limão, novos beijos, novos sabores, novos sorrisos, novas doses.
diversão que gera vazio. vazio que amadurece.

relendo textos, vi que cresci.
cresci, mas também cansei.
estações são incertezas. são despedidas. são abraços e lágrimas.

preciso da minha mochila parecida com a capa do CD do Paramore.
preciso das lembranças bem guardadas.
preciso voltar pra segurança.
preciso me encontrar comigo.

'the journey never ends..'

segunda-feira, 19 de abril de 2010

atual.próximo

2010.



acho que voltei.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A janela e a vista.


Tudo o que ela conhecia era aquilo, aquela parte do universo infinitamente pequena e insignificante. Um mundo confortável, ultimamente sem tv e sem computador, no qual a única diversão era assistir o microondas.
Mas a janela. Ah, a janela. Os morros, o céu, casas e aquela pequena parte dum portão onde morava o abraço diário.
Antigamente a proximidade distante, hoje a distância próxima. Elas poderiam se mudar e seguir caminhos diferentes, mas quando voltasse e por aquela janela visse aquele portão.. o mundo seria um lugar seguro. Seguro e cheio de lembranças, boas e ruins, como tudo deve ser.



misto de ficção e realidade.

texto pra Ná :]

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Metamorfoseando.

(o provável fim da pausa.)

Eu sabia que ele não desistiria. O Curinga nunca desiste. Ele apenas muda.
Um mês e meio de muitos curingas.

Aquele velho vilão da infância, daquele texto esquecido, do baralho já rasgado.

Enfrenta-lo te faz crescer, aprender.

O Curinga britânico foi mais traiçoeiro, mais frio. Quando tudo parecia resolvido, ele vinha tirar tudo dos eixos. É mais falso, fingindo uma educação que surpreende. Ele se esconde, se camufla.

Assim como os super-heróis. Esses, não chegavam com estardalhaço, não chamavam atenção, não te ofereciam ajuda. Você é quem tinha que prestar atenção. Eles tomavam formas de músicos de metrô no meio do dia, sem avisar. Ou apareciam como dias ensolarados, aulas hilárias, conversas incomuns, vendedores de livros de “yoga”, gaúchos falantes, crianças barulhentas, pessoas que vi apenas uma ou duas vezes, detalhes, sorrisos e desconhecidos.

Quem atrai o Curinga, somos nós. Por medo, ou incerteza, demoramos à tomar uma decisão ou à resolver uma situação e então, ele se aproveita, causando um problema maior. Mas, a causa em si, normalmente somos nós mesmos. Só em raras vezes, ele quer o show só para ele.

Só agora, consigo dizer que valeu a pena.
Quase com um sorriso idiota no rosto, clichê. Até um sentimento de saudade de alguns que vi apenas uma vez, aqueles que falam exatamente o que você precisava ouvir e de lugares e ruas que se tornaram familiares com o passar do tempo.

Vontade de rever esses mesmos heróis ou, ao menos, ter tido a chance de me despedir.

Percebo o tanto que aprendi e talvez até cresci, o tanto que mudei enquanto continuo a mesma.

Já consigo me ver andando lado a lado com o Curinga.
Ele, sorrindo de lado, diz que, da próxima, eu não escapo.

Olho pro lado e ele tenta me fazer tropeçar, como talvez um amigo tentasse. Ele quer que você caia para aprender a levantar.

Talvez, desde o começo, ele só quisesse o teu bem. O que você, todo preocupado, não conseguiu perceber. Mas agora, consegue concordar e se sentir agradecido.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Metamorfoses do Coringa


Vestidinho rosa, rodado. Pés descalços, cabelo encaracolado e loiro. Preso de um jeito quase descabelado, nada que tirasse o encanto do sorriso de criança. Ela tinha um jeito mimado, meio fresco, à primeira vista. Só quem a observasse por mais tempo entenderia a felicidade que ela sentia com coisas simples. Nem de ficar sempre toda arrumada ela gostava, a maioria das crianças não gosta muito. Ela queria correr e sujar os pés. A felicidade da lama. Andar por construções... ela amara a época em que sua casa ficara em reforma: tinha terra pra todo lado, tijolos, cimento. Os olhos dela brilhavam de ternura, mas em alguns dias era possível ver uns vestígios de tristeza, tristeza suave. E quando isso acontecia, era sempre ao anoitecer. Se tinha duas coisas das quais ela não gostava, era da noite e do céu. Por mais bonito que ele fosse, ele tinha levado sua mãe. Pelo menos, era isso que os adultos diziam, e não era justo. Assim como não era justo ela precisar dormir, e a noite a obrigava. Começava a escurecer e logo seu pai a levaria pra cama, ela adormeceria pelo cansaço das peripécias do dia e ele viria, como em todas as outras noites.

Ele, o Coringa. O vilão de seus sonhos. Nesses sonhos, ela sempre corria, mas nunca adiantava: o Coringa tinha um tiro certeiro. Mesmo assim, ela não conseguia chamar de pesadelo, era só um sonho. Sonho, e não pesadelo, porque neles havia esperança. Esperança de um dia não acordar assim que o Coringa disparasse sua arma. De ver além disso. De talvez, quem sabe, poder continuar no sonho e ir pro céu também, matar as saudades que tinha da mãe. Falar coisas que antes, quando sua mãe ainda lhe contava histórias sobre menininhas e lobos, ela não entendia. Contar como ela fazia falta. Ela esperava por isso, mesmo que fosse só assim, dormindo, e que tudo acabasse minutos depois, logo que ela abrisse os olhos.

Ela cresceria e quando fosse forte o bastante, venceria o vilão. Ninguém queria lhe contar como a mãe conseguira chegar até o céu, e ela acabou concluindo que os adultos também não sabiam. Mas ela descobriria, e iria até lá assim que derrotasse os vários Coringas da sua vida. O difícil vai ser descobrir que forma o Coringa terá quando ela for forte o bastante.


Pesadelos com Coringas que atiram e acabam com suas esperanças, dia após dia, onde a solução pode ser um colete à provas de bala e nada mais: simples. Só é difícil saber que tipo de colete usar quando o Coringa fizer uso de outros tipos de armas.